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10 mitos sobre a seletividade alimentar

1 – Se o meu filho só come dois tipos de frutas ele é muito seletivo.

O termo “seletividade alimentar” é usado sem muito critério pelas pessoas em geral e também pelos profissionais. Porém, ter preferências em relação a sabores e texturas e rejeitar alguns alimentos não configura a seletividade alimentar. Isso acontece quando há uma situação mais grave. Caso não saiba se este é o caso busque um profissional para fazer uma avaliação.

2 – Meu filho precisa comer muito pela manhã para se saciar e ficar forte ao longo do dia.

Existem muitas pessoas (seletivas ou não) que não conseguem comer por até uma hora após levantarem. Neste caso, os pais não devem forçar seus filhos a comer, mas sim modificar a rotina para adaptar o horário do sono. Esta estratégia será muito mais eficaz que forçar a comer.

3 – Se meu filho não come feijão ele é extremamente seletivo.

Há uma questão cultural envolvendo a seletividade. Caso o prato normal da criança for muito diferente do prato da cultura local, mais ciente a família fica do problema alimentar. Se na cultura local o feijão for “obrigatório” os pais ficam extremamente preocupados. Porém, nem sempre isso configura a seletividade. Neste caso, é importante buscar um profissional para fazer a avaliação.

Artigo Qual é a causa da seletividade alimentar?
curso como fazer seu filho comer

A partir daí é possível desenvolver estratégias para serem usadas na rotina alimentar normal da criança para incluir novos alimentos no cardápio dela. Todo o tratamento é feito no sentido de fornecer ferramentas, conhecimentos e estratégias para os pais usarem até mesmo depois que o tratamento termina. Assim, os pais se fortalecem no sentido de aprender a lidar com a seletividade alimentar da criança que pode ser tão limitadora quando não possuímos estas ferramentas. A principal estratégia a ser usada é a terapia de exposição – uma estratégia também utilizada para fobias específicas, como, por exemplo, o medo de avião. A criança começa a ser exposta aos alimentos não aceitos de forma terapêutica e controlada.

7 – A criança seletiva é mimada

Muitas outras pessoas atribuem a causa da seletividade alimentar aos pais que mimam a criança. Caso isso fosse verdade, pais mais assertivos não teriam filhos seletivos. Buscar encontrar um culpado é apenas um sinal do desconhecimento sobre a seletividade alimentar.

8 – A culpa é minha!

Em mais de 90% dos casos que atendo há uma causa orgânica clara e bem definida (por exemplo, um problema gastrointestinal, uma infecção ou uma alergia). Apesar de muitos profissionais orientarem que basta uma mudança de postura dos pais, isso não é verdadeiro. Não há razão para buscar culpados pela seletividade alimentar.

9 – É normal a criança parar de comer com 2 anos.

De forma nenhuma é normal uma criança parar de comer. Neste caso estamos nos referindo a uma mudança drástica na alimentação. Como você verá a seguir flutuações nos hábitos alimentares são normais. Porém, parar de comer não é normal e deve ser investigado por um profissional competente.

10 – É apenas uma fase que vai passar

Apesar de muitos profissionais afirmarem que a seletividade alimentar é apenas uma fase isso não é verdade. É normal a criança apresentar flutuações na aceitação e padrões alimentares, mas isso não significa que é normal mudar drasticamente a alimentação. O Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo tem um diagnóstico criterioso e pode ser necessário fazer uma avaliação para saber se este é o caso da sua família. 

Artigo Seletividade alimentar no autismo
Maria Cristina Lopes psicóloga
Artigo Novo diagnóstico Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo

Maria Cristina Lopes | Psicóloga CRP5/47829
Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra
Psicoterapeuta infantil pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online
Criadora do curso online “Como fazer seu filho comer”
www.mamaecuidadora.com.br

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4 – Devo dar suplementos caso meu filho não coma legumes.

A suplementação só deve ser oferecida com orientação profissional. Nem sempre será o caso. Quando a suplementação não é necessária, mas é oferecida à criança esta pode acabar funcionando como um substituto da refeição ou lanche. Isso pode ser um problema no futuro. Portanto, sempre consulte o pediatra ou nutricionista!

5 – Usar um “abridor de apetite” vai resolver o problema.

Para crianças que tem preferências alimentares o abridor de apetite pode ajudá-la a comer mais. Porém, para uma criança com um transtorno alimentar (seletividade alimentar) o abridor de apetite não resolve o problema. Afinal, o que causou esta condição não foi a falta de apetite.

6 – A criança seletiva é manipuladora

Muitos atribuem a causa da seletividade alimentar ao temperamento da criança. Se esta fosse a questão crianças calmas e obedientes não teriam seletividade alimentar. Há crianças seletivas de todos os perfis!