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O que é APVL?

APVL é a sigla usada para descrever um quadro de alergia à proteína do leite. Esse tipo de alergia se manifesta nos primeiros meses ou anos de vida, e pode levar a um caso de seletividade alimentar grave, por conta das restrições da infância.

A pessoa com APVL não pode consumir leite de vaca ou seus derivados, ou seja, todos os alimentos que contenham a proteína do leite. O que ocorre no quadro é um processo de defesa do sistema imunológico que ataca essas proteínas, já que há um processo de reação.

A proteína não pode ser digerida pela pessoa, desde criança. O ideal é que a pessoa seja tratada desde cedo, com o aparecimento dos primeiros sintomas. Assim, o quadro pode desaparecer por completo, e a criança pode retomar o consumo de alimentos normalmente.

A APVL é colocada como um dos maiores fatores de risco para desenvolvimento de uma seletividade alimentar grave. É por isso que devemos tomar cuidados especiais com a alimentação das pessoas que apresentam essa disfunção. Se não ficarmos atentos, a seletividade pode se desenvolver rapidamente.

Mas por que isso ocorre? O que exatamente caracteriza um quadro de seletividade alimentar em pessoas que apresentam APVL? Realmente, a linha de distinção entre um quadro de APVL com e sem seletividade é tênue. Se você quer saber mais sobre essas duas condições, e sobre a conexão entre elas, acompanhe nosso conteúdo. Aqui, vamos tirar todas as suas dúvidas e explicitar algumas possibilidades de tratamento.

Possibilidades de tratamento

A APVL, aqui, é tida como o ponto de partida do desenvolvimento de seletividade alimentar. Entretanto, é necessário fazer um tratamento focado também nos fatores psicológicos desse quadro.

Deve-se pontuar que o transtorno se caracteriza por uma apresentação multifatorial. Isso significa que não podemos tratar cada causa ou consequência de maneira separada. É também por isso que falamos em tratamento multidisciplinar, com a ajuda de psicólogos, nutricionistas e médicos.

Como as possibilidades de afetar a vida social e profissional são grandes, em casos de adultos com seletividade alimentar, precisamos de um enfoque especial também na recuperação de uma vida saudável, não apenas no sentido alimentar. 

Como o quadro pode levar a um transtorno de seletividade alimentar?

Quando falamos em APVL em crianças, precisamos pensar que nem sempre ocorre a cura. Apesar desse processo de desaparecimento dos sintomas ser comum, a falta de cuidados e atenção, assim como questões relacionadas ao organismo da pessoa, podem levar a uma prevalência do quadro.

Quando isso ocorre, podemos falar no desenvolvimento de seletividade alimentar. A criança não pode ingerir uma série de alimentos. Se ela ingerir, reações fortes de vômito e diarréia podem ocorrer.

Existem muitas pessoas que acabam associando esses alimentos a um desconforto extremo. Isso, com certeza, desmotiva a ingestão. O problema é realmente quando esse quadro se expande: a pessoa com APVL acaba recusando outras classes de alimentos.

Se a situação não for tratada corretamente, o quadro pode evoluir até o transtorno de seletividade alimentar, que tem como sintomas restrições graves, desnutrição e desconfortos físicos e psíquicos relacionados à situações em que a alimentação esteja presente.

O DSM-V possui uma distinção exclusiva para esse tipo de transtorno de seletividade, intitulado transtorno alimentar restritivo evitativo. O manual pontua que o desenvolvimento desse quadro pode decorrer de doenças ou distúrbios alérgicos, como é o caso de pacientes com APVL, ou que já apresentaram APVL em algum momento da vida. 

Consequências

A principal consequência do desenvolvimento de um transtorno de seletividade alimentar a partir da APVL é realmente a expansão da recusa alimentar para além de leite e seus derivados. O transtorno também não se caracteriza por recusa baseada em condições médicas, como acontece em casos isolados de APVL.

Algumas outras consequências estão relacionadas ao funcionamento social, familiar e psicológico da pessoa que apresenta o transtorno. Quando ele se estende até a fase adulta, a pessoa pode sofrer com reclusão, fobia social (principalmente se a situação possuir relação com a alimentação) e prejuízo no funcionamento profissional. Na realidade, o prejuízo pode se expandir para as mais diversas áreas da vida. 

Maria Cristina Lopes | Psicóloga CRP5/47829
Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra
Psicoterapeuta infantil pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online
Criadora do curso online “Como fazer seu filho comer”
www.mamaecuidadora.com.br

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