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É natural que crianças tenham preferências alimentares. É difícil encontrar crianças que gostem de frutas e vegetais. Porém, algumas crianças tem problemas mais complexos em relação a alimentação. Estas crianças rejeitam muitos alimentos e configuram o que comumente se chama de “seletividade alimentar”. Neste caso, estas crianças precisam de ajuda.

Esta condição começa a causar maior preocupação quando há deficiências nutricionais ou quando há problemas sociais a partir da recusa alimentar. Quando os pais notam a recusa forte e notificam o pediatra é comum que sejam orientados de que esta é apenas uma fase. Porém, depois de alguns anos fica claro que é muito mais complexo que isso.

A alimentação seletiva pode ser um problema grave por vários motivos. O DSM-V (manual de doenças da APA) descreve algumas causas do Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo (seletividade alimentar). Estas causas podem ser de ordem médica (problemas gastointestinais, infecções, alergias, etc.), sensoriais (sensibilidade a texturas, sabores, cheiros, etc.) ou emocionais (problemas de vinculação com os pais, mudança de rotina, entrada na creche, etc.). 

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Como ajudar crianças seletivas?

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A partir daí é possível desenvolver estratégias para serem usadas na rotina alimentar normal da criança para incluir novos alimentos no cardápio dela. Todo o tratamento é feito no sentido de fornecer ferramentas, conhecimentos e estratégias para os pais usarem até mesmo depois que o tratamento termina. Assim, os pais se fortalecem no sentido de aprender a lidar com a seletividade alimentar da criança que pode ser tão limitadora quando não possuímos estas ferramentas. A principal estratégia a ser usada é a terapia de exposição – uma estratégia também utilizada para fobias específicas, como, por exemplo, o medo de avião. A criança começa a ser exposta aos alimentos não aceitos de forma terapêutica e controlada.

As barreiras psicológicas e sensoriais vão sendo derrubadas e evoluímos gradativamente até uma alimentação mais saudável e normal. O principal é compreendermos que esta tarefa não é fácil para estas crianças e precisamos ter muita empatia para compreender esta dificuldade. Cada criança tem o seu tempo para evoluir, mas é necessário encontrar estratégias eficazes para não estacionar ou andar para trás. 

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Maria Cristina Lopes | Psicóloga CRP5/47829
Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra
Psicoterapeuta infantil pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online
Criadora do curso online “Como fazer seu filho comer”
www.mamaecuidadora.com.br

Maria Cristina Lopes psicóloga

O primeiro passo para ajudar estas crianças é compreender as causas e, se for o caso, sua percepção individual sobre os alimentos. Por exemplo, crianças podem ter a ideia de que o alimento é “sujo” ou está “estragado” baseado na aparência ou cheiro. Elas também podem ter a percepção de que alimentos novos podem provocar dores ou desconforto. Há ainda crianças que tem medo de engasgar ou vomitar e então selecionam os alimentos “seguros”.

Em muitos casos a seletividade começa muito cedo e se não estimularmos as crianças a falar sobre o assunto em um ambiente seguro elas ficarão caladas e não saberemos todos os sintomas delas. Precisamos no primeiro momento da terapia avaliar o perfil e sintomas da criança e então podemos compreender os fundamentos da recusa alimentar (cheiro, textura, sabor, etc.).