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Atitudes de forçar a comer ou forçar a sentar na mesa realmente ajudam?

 Quando você tem filhos com seletividade alimentar, principalmente no caso de crianças, é essencial entender como tratar essa condição sem que ela se agrave. Uma das atitudes incorretas por parte dos pais é a alimentação forçada, ou forçar a criança a sentar à mesa. Se você ainda tem dúvidas, vamos esclarecer que esse tipo de comportamento não favorece a melhora da seletividade, mas sim atrapalha a recuperação.

Quando você faz com que o seu filho coma à força, ele pode estar associando a alimentação ao sentimento de desconforto. Afinal, ele não está ali porque quer. Esse exemplo também pode ser ampliado para forçar a sentar à mesa. É o mesmo princípio para ambas as atitudes.

A criança torna o momento da refeição um momento de frustração e desamparo. Ao forçar a criança a se comportar de uma maneira, sem a presença de diálogos ou outros métodos, você ainda retira a sensação de liberdade e autonomia do seu filho.

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Por que os pais tomam essa atitude?

Se forçar a comer e forçar a sentar à mesa são atitudes tão maléficas à superação de um quadro de seletividade alimentar, por que muitos pais ainda insistem em tratar a situação dessa forma? A tendência pode ser explicada por alguns fatos.

Primeiramente, podemos identificar um medo de doenças ou problemas no desenvolvimento geral da criança. De fato, muito da ideia de desenvolvimento infantil está apoiada na boa alimentação, e esse aspecto não é falso. Entretanto, forçar a comer só vai contribuir para piorar o quadro geral da seletividade.

Outro fato que pode ser relevante para o entendimento das atitudes dos pais é a ignorância em relação à condição de seletividade. Quantas vezes já ouvimos falar de pais que acham que seus filhos não querem comer por “frescura”? Com certeza, você conhece um caso desse tipo.

Essa são perspectivas acerca da alimentação de crianças que precisam ser combatidas. De fato, notamos uma urgência de conscientizar os pais sobre o comportamento de recusa alimentar, sempre evitando que atitudes de forçar a criança a comer ou se sentar à mesa.

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Maria Cristina Lopes psicóloga
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Maria Cristina Lopes | Psicóloga CRP5/47829
Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra
Psicoterapeuta infantil pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online
Criadora do curso online “Como fazer seu filho comer”
www.mamaecuidadora.com.br

Muitas crianças possuem uma recusa alimentar, e frequentemente, a atitude dos pais para estimular a alimentação costuma fazer o efeito contrário. Quando não há muito conhecimento sobre a seletividade alimentar, esse é um quadro comum.

Será que o seu filho realmente vai se sentir incentivado a comer se você forçá-lo a comer? E se você forçá-lo a sentar à mesa na hora das refeições? Essas são algumas das atitudes usadas pelos pais que ainda não conhecem tratamentos eficientes para recusa alimentar.

Aqui, você vai entender o que ocorre quando você utiliza essas atitudes de forçar o seu filho que apresenta sinais de seletividade alimentar. Assim, você entende mais sobre a tendência e evita atrapalhar no tratamento da criança.  

Forçar a comer ou forçar a sentar à mesa ajuda ou atrapalha a seletividade alimentar?

Dicas para lidar com a seletividade alimentar

Se eu não posso usar da minha autoridade como pai para fazer com que meu filho se alimente, o que eu devo fazer? Essa é uma das perguntas mais frequentes feitas por pais de crianças que estão apresentando seletividade alimentar.

É importante identificar o grau de gravidade da condição. Existem casos em que estamos falando de um transtorno de seletividade alimentar, em que há sofrimento clinicamente significativo e uma recusa relacionada a aspectos mais abstratos. Nesses casos, é importante contatar um psicólogo.

Entretanto, mesmo fora do ambiente de tratamento médico, e até com crianças que apresentam sinais mais brandos, precisamos de alguns cuidados. Primeiramente, é importante não usar da punição como forma de incentivar a alimentação. Nunca brigue ou grite com a criança por conta da recusa.

Em segundo lugar, você pode tentar estratégias de recompensar a criança caso haja a alimentação. Use a sua criatividade para fazer com que o período de refeição seja um período agradável, e não o contrário. Dessa maneira, você está melhorando a relação com a comida. 

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A seletividade alimentar

A seletividade alimentar é uma condição de saúde de ampla recusa à alimentação, que causa um nível de sofrimento clinicamente significativo. Quando uma pessoa tem seletividade alimentar, ela enfrenta uma recusa por conta de diferentes aspectos do alimento, e uma perda de apetite extrema.

A recusa alimentar pode decorrer de elementos como o sabor, a presença de temperos, a temperatura e até aspectos estéticos, a exemplo da textura ou cor. Essa condição é diferente da perda de apetite de uma pessoa que está enfrentando uma doença no sistema gastrointestinal, que é decorrente de fatores de alteração biológica.

A perda de peso e a presença de atitudes antissociais podem ser alguns sinais visíveis em pessoas que sofrem de seletividade alimentar. É frequente a tendência à reclusão e afastamento de situações sociais.