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Artigo O que é a seletividade alimentar

Por que a seletividade alimentar ocorre em autistas?A deficiência no processamento sensorial

É frequente e estudada até os dias de hoje a relação entre autismo e alterações no processamento sensorial. Em indivíduos sem o transtorno, o processamento funciona da seguinte maneira: um estímulo sensorial é sentido pelos órgãos periféricos, e a informação sobe ao cérebro, para que um significado seja atribuído.

Nas pessoas com autismo, essa via de processamento é igual, mas há uma sensibilidade no contato e integração dos sentidos. Quando isso ocorre, a pessoa fica com os sentidos desordenados ou hipersensíveis. Vale pontuar que isso pode ocorrer com qualquer dos sentidos: olfato, tato, visão, audição e paladar.

Esse quadro afeta diretamente a maneira pela qual os autistas se relacionam com o alimento. Como pontuamos anteriormente, o processamento de um alimento não está ligado apenas ao paladar, mas também aos sentidos secundários que são acessados na hora da refeição. 

É por isso, também, que podemos identificar uma tendência a relacionar o tato ao alimento – colocando as mãos e observando a comida – em pessoas com autismo. Se você parar para observar, essas pessoas não somente possuem uma seletividade maior, mas possuem uma relação com o alimento que é pautada em elementos quase imperceptíveis para nós.

A saída para esse quadro não é simples. Precisamos pensar em técnicas para melhorar o contato dessas pessoas com a alimentação em geral. Assim, evitamos um aumento da seletividade alimentar e perda da qualidade de vida.

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Muitas pessoas que possuem autistas em sua família se deparam com restrições e problemas na alimentação. As mães de crianças autistas, em especial, declaram que é muito difícil fazer seus filhos se alimentarem com qualidade. Mas o que de fato ocorre com essas pessoas?

Hoje, vamos analisar alguns detalhes sobre a seletividade alimentar em pessoas com autismo. Assim, você pode melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem dessas condições. A seletividade existe, mas ela pode ser contornada. Entenda mais sobre o assunto abaixo!

mãe e filho

Maria Cristina Lopes | Psicóloga CRP5/47829
Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra
Psicoterapeuta infantil pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online
Criadora do curso online “Como fazer seu filho comer”
www.mamaecuidadora.com.br

Quais são as soluções?

Primeiramente, você pode ajudar uma criança autista a se alimentar de maneira independente. Muitos portadores dessa condição precisam de auxílio na alimentação na fase infantil e adulta. Quando você estimula essa independência, pode estar abrindo as portas para novas tentativas em relação à natureza do alimento também.

Uma outra técnica que pode funcionar é manter os elementos ao redor da comida estáveis. Você pode, por exemplo, estabelecer um horário fixo, e um local para que a pessoa faça as refeições do dia. Alguns detalhes fixos, como manter as mesmas cores no prato, podem ajudar.

Evite que a pessoa se distraia, principalmente quando estamos falando de crianças portadoras de autismo. A presença de alguns brinquedos ou de televisão atrapalha e pode atrasar a adaptação dessa pessoa a diferentes alimentos. O melhor é manter um ambiente sóbrio, mas receptivo.

mãe e filho sentados

O autismo e a seletividade alimentar

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Artigo Seletividade alimentar no autismo

Quais são as características da seletividade em autistas?

Frequentemente, podemos identificar muita seletividade no comportamento alimentar de pessoas com autismo. Elas não variam a alimentação e, muitas vezes, podem aceitar apenas um tipo de comida em todas as refeições do dia. As alterações na rotina de alimentação são extremamente aversivas para autistas.

 Além desse fator de mudança prática, devemos levar em consideração questões de processamento relacionadas aos sentidos das pessoas com autismo. Cheiros, texturas, cores e temperaturas são sentidos de uma maneira diferente, que pode agravar as dificuldades alimentares, principalmente em crianças.

 A seletividade pode estar relacionada a elementos específicos do alimento em questão, ou a questões mais abrangentes. É complicado saber as razões pelas quais autistas se recusam a comer determinados alimentos, até porque essas razões podem se diferenciar muito. Mas o que acontece com as pessoas que possuem autismo para que haja essa recusa ao alimento? Essa é uma das perguntas mais comuns, e na realidade, só podemos inferir algumas causas.

Maria Cristina Lopes psicóloga

Considerações finais

Combater a seletividade alimentar em pessoas com autismo é realmente um dos maiores desafios da condição. Porém, você precisa se empenhar e ter paciência. As mudanças são graduais e podem ser muito lentas, mas elas ocorrem em certa medida.

Não deixe que a ansiedade da pessoa aumente durante a alimentação. Você precisa da presença de um ambiente calmo e principalmente familiar. Estimular mudanças na alimentação deve ser uma ação feita em casa, nunca em outros locais. Por fim, evite qualquer atitude punitiva e reforce os progressos da pessoa, por menores que sejam. Uma boa relação e o estabelecimento de condições de segurança são pontos essenciais.


​É essencial consultar um psicólogo especializado, para começar um tratamento com equipe multidisciplinar. O psicólogo vai tratar da adequação do processamento sensorial, em um condicionamento de estímulos e reforços para que a pessoa seja mais receptiva em relação à alimentação. Já um nutricionista, por exemplo, pode tratar de deficiências nutricionais, consequências muito frequentes da alta seletividade em autistas.

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