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O que é o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo?

Artigo Doutor, o meu filho não come!

Todos nós, sem nenhuma exceção, temos restrições alimentares em diferentes níveis, sejam elas causadas por condições de saúde ou simplesmente por uma questão de predileções. Mas o quadro se modifica quando temos a alteração da nossa qualidade de vida por conta dessas restrições. 

Um dos casos mais comuns de distúrbios relacionados à ingestão de alimentos de diferentes tipos leva o nome de transtorno alimentar restritivo evitativo. Há uma parcela considerável da população que pode sofrer dessa condição sem nunca ser diagnosticada. 

Se você possui alguma desconfiança, ou se simplesmente quer saber mais sobre o assunto, acompanhe nosso conteúdo a seguir. Assim, você entende todas as especificidades sobre esse transtorno e pode recorrer ao apoio psicológico com bases mais sólidas.

frutas

Maria Cristina Lopes | Psicóloga CRP5/47829
Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra
Psicoterapeuta infantil pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online
Criadora do curso online “Como fazer seu filho comer”
www.mamaecuidadora.com.br

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Quais são as causas?

Existem muitas controvérsias em relação a causas desse transtorno. De maneira geral, podemos associar a condição a uma sensibilidade excessiva das papilas gustativas, problema orgânico que pode estar ligado a experiências ruins com alimentos em geral.

Essa é apenas uma explicação, que leva em conta o histórico de encontros entre o paciente e um determinado alimento, gerando o desconforto na maioria das vezes. Depois de alguns episódios, a pessoa passa a recusar o alimento por conta do sabor exaltado, que decorre da condição de saúde excepcional da qual falamos anteriormente.

Uma segunda hipótese explica melhor a razão da recusa de alimentos selecionados, como saladas ou comidas mais leves. A causa estaria nas condições de alimentação da atualidade, que está baseada, em grande parte, nos alimentos industrializados, com adição de muitos temperos. Devemos considerar, aqui, que as papilas gustativas possuem uma certa memória de sabor.

Quando acostumamos a nos alimentar de uma maneira, estamos automaticamente instaurando um ambiente propício à recusa de outros tipos de comida. É o que ocorre, por exemplo, em casos de distúrbios alimentares infantis.

O diagnóstico e o tratamento

 O diagnóstico costuma ser muito relativo, uma vez que esse transtorno está fortemente associado à condições psicológicas de sensibilidade aos elementos que circundam o alimento em questão: o cheiro, a textura, as cores, a temperatura, entre outros. Todos os detalhes podem servir de pressupostos para uma seletividade, dependendo do histórico de relação do paciente com esses estímulos.

Por isso, é necessário instaurar um ambiente detalhadamente estudado na clínica psicológica. Para começar, o profissional pode pedir que o paciente preencha alguns questionários e índices de avaliação, uma vez que os níveis de transtorno são muito diversos. Depois, será traçado um plano de intervenção.

É necessário que, ao final da terapia, o paciente consiga se relacionar ao alimento sem que esse cause ansiedade ou recusa forte. Para isso, o psicólogo criará condições artificiais de contato com o elemento em questão, sem que esse contato cause qualquer tipo de prejuízo.

Existe cura?

Como mencionamos anteriormente, existe cura para esse transtorno, que consiste na retomada do contato do paciente com o alimento em questão, ou seja, a ausência de recusa ou seletividade. Quando isso ocorre, podemos dizer que o tratamento obteve eficácia, e o paciente está curado.

Mas cuidado, pois assim como outras doenças, o transtorno pode voltar em algum período da vida. Por isso, é necessário que os familiares fiquem atentos ao cotidiano do paciente, evitando que um possível crescimento de recusa ocorra novamente.

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O que caracteriza o transtorno?

Esse transtorno alimentar costumava ser associado à crianças menores, que possuíam restrições alimentares sem razões médicas aparentes, associadas a uma falta de percepção ou preocupação com imagem corporal. Na última edição do DSM, essa condição de saúde se encontra junto a outros transtornos alimentares.

De maneira simplificada, podemos identificar a presença desse distúrbio quando há uma recusa a ingestão de determinados alimentos que ocorre em bases constantes. Pode ser, também, que haja a presença de uma seletividade extrema, agravada pela presença de alguns tipos de alimento. Essa recusa ou seletividade ocorre independentemente do contato ou não com a comida.

Essa dificuldade em ingerir determinados alimentos pode ser classificada simplesmente como uma recusa, quando a situação não é grave, mas pode se tornar um distúrbio propriamente dito dependendo da abrangência e das consequências dos atos de seletividade. Os conceitos são realmente flexíveis, mas podem nos ajudar a entender melhor o quadro.

Muitas vezes, o paciente portador do distúrbio acaba por sofrer alguns efeitos. Primeiramente, podemos falar de condições orgânicas, como a perda excessiva de peso, a deficiência relacionada a vitaminas e nutrientes, e a vergonha de se alimentar em público. O que vemos, na maioria dos casos, é a necessidade de se isolar para poder se alimentar.

É importante pontuar que o transtorno alimentar restritivo evitativo pode estar relacionado apenas a alguns alimentos, ou a uma enorme gama de ingredientes. As motivações não são semelhantes a, por exemplo, uma anorexia, visto que não há preocupações com a imagem corporal que levem á recusa.