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O transtorno em adultos

Alguns sinais podem ser claros em adultos com esse transtorno alimentar. Primeiramente, precisamos pontuar que a alimentação restrita pode surgir na infância, o que é mais comum, ou depois do crescimento, por conta de algum episódio traumático, doença do sistema digestório, entre outras causas, que exploraremos mais adiante.

Geralmente, quando o transtorno alimentar restritivo evitativo ocorre na idade adulta, podemos identificar grande tendência à ansiedade social, isolamento e principalmente uma dificuldade em falar do assunto. Por isso, pode ser difícil identificar o problema. As dificuldades podem se estender a atividades do cotidiano, como o trabalho e até as relações amorosas.


Pessoas adultas com esse transtorno apresentam hábitos e tendências que, muitas vezes, atrapalham o desenvolvimento de atividades profissionais. O mesmo ocorre com relações que envolvem mais intimidade e convivência.

Causas


Pouco se descobriu sobre as causas desse transtorno. Uma das hipóteses mais biológicas é a presença de papilas gustativas extremamente sensíveis e aguçadas. Isso pode fazer com que a pessoa experimente os gostos de comidas com mais intensidade, e algumas delas podem se tornar aversivas.

Outra hipótese segue mais pela linha comportamental, que explica a restrição alimentar por uma associação do alimento a situações desagradáveis ou punitivas para a pessoa. O problema está na generalização dessa relação, que pode levar a pessoa a evitar o contato com muitos alimentos. Seja qual for a hipótese, o importante é, também, olhar para o desenvolvimento dessa condição. Se a restrição se tornar muito abrangente, podemos afirmar que o transtorno está se agravando rapidamente.

Muitas pessoas associam o transtorno alimentar restritivo evitativo ao comportamento de crianças. De fato, é mais fácil que uma criança tenha restrições alimentares. Entretanto, esse tipo de disfunção pode ocorrer também em adultos.


Se você ainda não se aprofundou no assunto e precisa tirar as suas dúvidas, confira o conteúdo que separamos a seguir. Assim, você pode compreender as causas, sintomas e o tratamento para quem sofre desse tipo de transtorno, buscando o tratamento adequado.

O que é transtorno alimentar restritivo evitativo?

No DSM-V, o manual de transtornos mentais atualizado, o transtorno alimentar restritivo evitativo ocorre quando há a resistência a ingestão de diferentes alimentos ou o comportamento de esquiva em relação aos mesmos. As pessoas, mesmo quando adultas, possuem restrições alimentares. Porém, quando essas restrições começam a interferir na vida psíquica e social do indivíduo, podemos caracterizar o aparecimento de um transtorno. 

Maria Cristina Lopes psicóloga

Sintomas psicológicos

O sintoma mais aparente desse tipo de transtorno é a restrição alimentar em grande escala. Reações de esquiva, ou até de nojo, podem ser frequentes frente a apresentação de alguns alimentos. Como já mencionamos, o importante é ver se essa situação está se tornando um problema na vida da pessoa.

Comportamentos antissociais, principalmente relacionados a ambientes que estejam envolvidos com a alimentação, também são identificáveis. Pode haver tendências à reclusão, ansiedade, desenvolvimento de padrões depressivos, entre outros sintomas.


Sintomas físicos

Os sintomas físicos podem variar de pessoa para pessoa. Entretanto, geralmente, a primeira coisa que se nota é a perda de peso excessiva com o agravamento da condição. Ainda pode existir presença constante de desconfortos gastrointestinais, por conta dos hábitos alimentares inadequados.

Há a possibilidade de presença de alguns sintomas físicos secundários, como a tontura frequente, náuseas e vômito. Vale observar que esses sintomas podem decorrer do próprio transtorno, ou de outras consequências, como a ansiedade em altos níveis.


Tratamento

O tratamento deve ser feito com a ajuda de um psicólogo, em contato com uma equipe multidisciplinar. O psicólogo vai tratar dos efeitos e causas comportamentais, enquanto outros profissionais, como um nutricionista, tratarão dos efeitos biológicos da privação de alimentos.

É importante avaliar a necessidade de medicação para pessoas com esse transtorno. Vitaminas e suplementos alimentares podem ser obrigatórios ao longo do período de terapia, para melhorar a qualidade de vida do paciente e retomar um peso saudável, que muito provavelmente foi perdido com rapidez durante o agravamento da condição.

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Maria Cristina Lopes | Psicóloga CRP5/47829
Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra
Psicoterapeuta infantil pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online
Criadora do curso online “Como fazer seu filho comer”
www.mamaecuidadora.com.br

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O Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo em adultos

Como identificar o transtorno em adultos?

A pessoa com transtorno alimentar restritivo evitativo pode demonstrar alguns padrões de comportamento que fogem do comum. Quando a situação se agrava, esses comportamentos se tornam ainda mais evidentes. Se você começar a notar uma maior reclusão, comece a prestar atenção.

Muitas vezes, essas pessoas costumam estar passando por uma “fase ruim” interminável. Como consequência desse agravamento, as relações parecem ruir. Por isso, se os problemas no trabalho e em casa forem crescentes, você também deve dedicar um pouco mais de atenção.

Por fim, temos o sinal mais claro: a pessoa nunca está em locais de consumo de alimentos, nunca é vista em refeições e recusa qualquer convite para esse tipo de programa. A recusa à alimentação se torna extremamente evidente para pessoas próximas. Em relação a esse traço, não é difícil identificar um portador do transtorno. Não se esqueça de sempre se atentar a mudanças em padrões. 

criança cozinhando bolo