comportamento alimentar infantil logo cenoura

Talvez o grande problema em relação a como as pessoas veem os seletivos é a dificuldade de diagnosticar. Afinal, é perfeitamente natural que uma pessoa tenha hábitos e preferências alimentares e recuse alguns alimentos. Um ótimo exemplo disso é sobre comidas exóticas.

Muitas pessoas sentem nojo de alimentos muito diferentes de outros países e isso é normal. No entanto, a seletividade alimentar é um termo utilizado de forma não criteriosa e pessoas que realmente têm um problema e sofrem com esta condição ficam sem diagnóstico e tratamento.

Mas é possível melhorar os sintomas e viver uma vida normal apesar deste problema. O primeiro passo é buscar um profissional que conheça este transtorno alimentar, em especial, um psicólogo que possa ajudar com questões sensoriais, emocionais, comportamentais, e também cognitivas. Geralmente, as formações de profissionais da saúde não incluem o treinamento em relação a este diagnóstico. Por isso, a formação continuada é tão importante.

Referências:

American Psychiatry Association, (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders - DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association.

Bays, J. C. (2010, fevereiro 23). Fear of Food: a doctor looks at fears about food [Blog]. Recuperado de: https://www.psychologytoday.com/us/blog/mindful-eating/201002/fear-food

Artigo Doutor o meu filho não come
curso como fazer seu filho comer
Maria Cristina Lopes psicóloga

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Em 2010, o Psychology Today desenvolveu uma matéria sobre os aspectos cognitivos do “medo de comer”. Ou seja, o meu medo de comer se baseia em ideias sobre os alimentos. Por exemplo: “não devo comer ovos por que ovos aumentam o colesterol e me fazem mal”. Ou ainda, sintomas físicos podem ser interpretados de forma incorreta. Por exemplo, depois de comer algo com glúten uma pessoa pode sentir-se constipada e pensar que é intolerante ou alérgica. A partir disso, surge o medo de comer alimentos com glúten e esta pessoa começa a rejeitar estes alimentos.

Infelizmente, a seletividade alimentar é muito mais complexa e profunda que isso. De fato, há muitos pacientes com sintomas cognitivos, mas esta não é a causa real do problema. Em relação a isso, há algumas questões importantes que gostaria de pontuar:

1 – Problemas orgânicos geralmente iniciam e estão intimamente relacionados com a seletividade alimentar.

Segundo o DSM-V (Manual de doenças da APA mundialmente utilizado para pesquisas e diagnósticos) problemas gastrointestinais na primeira infância podem ser a causa do Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (a seletividade alimentar). Isso significa que existiu um desconforto orgânico associado à alimentação durante um período crítico para o desenvolvimento de hábitos e preferências alimentares. 

Maria Cristina Lopes | Psicóloga CRP5/47829
Mestranda em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra
Psicoterapeuta infantil pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro
Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia para atendimentos online
Criadora do curso online “Como fazer seu filho comer”
www.mamaecuidadora.com.br

Artigo Como ajudar crianças seletivas?

2 – As ideias (pensamentos) surgem a partir de experiências reais.

Isso significa dizer que há sintomas cognitivos em pessoas com seletividade alimentar, mas não podemos afirmar que estes sintomas são a causa da seletividade. Afinal, se assim fosse, não existiriam crianças de dois anos seletivas.

3 – A seletividade alimentar é complexa.

Não podemos pensar que um problema que faz as pessoas não conseguirem comer, viajar e ir à restaurantes será um problema simples de ser resolvido. Não basta mudarmos algumas ideias sobre a comida. A seletividade é muito mais complexa que isso.

4 – O problema também é sensorial.

Muitos pais relatam que os filhos seletivos demonstram interesse em comer. É comum ouvir que os filhos em algum momento tomaram coragem e disseram “vou comer”. A família fica alegre, os pais cozinham e oferecem, mas apesar do interesse quando a criança se depara com a comida simplesmente não consegue. O medo da comida está relacionado a sensações desprazerosas que impedem a criança de provar.

Qual é a causa da seletividade alimentar?

Artigo 10 mitos sobre a seletividade alimentar
criança comendo fruta